Análise das ligações dos Aeroportos das Cidades Sede da Copa de 2014

A proximidade da Copa do Mundo FIFA de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016 que serão realizados no Brasil trazem à tona assuntos pertinentes aos sistemas de transportes necessários para atendimento da demanda específica destes eventos. Além dos mundiais citados, haverá também no país os Jogos Militares em 2011 e a Copa das Confederações em 2013, que exigirão todo um sistema eficiente de recepção dos turistas e deslocamento dos mesmos de um local de provas a outro.

A Copa do Mundo de Futebol é o evento que mais tem chamado atenção, tanto pelo volume potencial de turistas que serão movimentados dentro do país, como pela quantidade de cidades envolvidas com o megaevento. Neste campeonato, doze cidades sediarão os jogos e atrairão públicos de diversas regiões do mundo e também de dentro do próprio país. Assim, é necessário um planejamento que considere os fluxos para o Brasil e entre as cidades-sede, assim como de cidades não-sede para os locais de realização dos jogos.

Desde a anunciação do Brasil como país realizador dos jogos, muito tem se levantado a respeito da capacidade de atendimento à demanda por transporte aéreo, posto que este será o modo de maior utilização tanto por jogadores e comissões técnicas como pelos espectadores e imprensa. O transporte aéreo no Brasil desenvolveu-se seguindo uma tendência mundial de estreitamento de relações cada vez mais intenso entre as diversas cidades do mundo, tendo em vista a globalização. Notava-se necessidade crescente de deslocar-se internacionalmente, e mesmo dentro do próprio país, dadas suas dimensões continentais, por um modo que oferecesse rapidez na viagem.

Atualmente, a demanda por transporte aéreo no Brasil ainda é latente, tanto para vôos domésticos como internacionais. No entanto, é possível observar crescimento das freqüências ofertadas pelas companhias aéreas ao longo dos últimos anos. Para um bom funcionamento do sistema aeroviário, principalmente em um período de utilização mais intensa, torna-se imprescindível o estudo dos aeroportos que atendem as cidades-sede e seus fluxos.

As cidades selecionadas para realização dos jogos da Copa do Mundo são: Belo Horizonte, Brasília, Cuiabá, Curitiba, Fortaleza, Manaus, Natal, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo. Algumas cidades serão servidas por mais de um aeroporto, como Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte.

Assim, serão utilizados dezesseis aeroportos da rede Infraero para atender essas cidades. Sabe-se que esses aeroportos estão entre os maiores em movimento de passageiros, e há expectativa de que tal indicador aumente não somente pela ocorrência dos grandes eventos, mas pelo próprio crescimento que a indústria tem apresentado nos últimos anos. Dessa forma, faz-se necessário o conhecimento dos impactos que ocorrerão com o aumento dos fluxos nesses aeroportos.

Foram considerados para este estudo o tráfego de passageiros domésticos e as ligações diretas entre os aeroportos da Copa entre si e os outros aeroportos do Brasil. As principais cidades: São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília somam quase 50% do total de assentos. As cidades da Copa estão conectadas com todas as regiões do Brasil, com destaque para as regiões Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste.

A principal ligação do Brasil é a ponte aérea que representa praticamente metade do fluxo do aeroporto Santos Dumont, e 29% de Congonhas (principal aeroporto do Brasil em número de assentos). Em seguida temos os aeroportos de Brasília, Guarulhos, Santos Dumont e Galeão como principais em assentos nas ligações com as cidades da Copa. As cidades que sediarão a Copa apresentam os principais aeroportos do país e desses aeroportos atualmente 50% já estão operando no gargalo, com o aumento do fluxo previsto em 2014, mesmo com os investimentos governamentais, este número * Artigo submetido e apresentado no IX SITRAER - Simpósio de Transporte Aéreo (Manaus, 2010).

Conclui-se, portanto, uma consistência nas análises apresentadas, mostrando que os aeroportos com maior fluxo de passageiros encontram-se no limite da operação. Essa situação é causada por problemas de infraestrutura como pátio e pista congestionados que impedem ou diminuem o desempenho do terminal aeroportuário. Sendo assim, o cenário mostra-se preocupante para o deslocamento aeroviário dos brasileiros e estrangeiros que pretendem comparecer aos locais de realização dos eventos.

Faz-se necessário o planejamento dos aeroportos brasileiros para atendimento tanto da demanda crescente que é esperada para os próximos anos como para a realização da Copa do Mundo. As cidades menores, que não sediarão os jogos, poderão ser afetadas pela reformulação das malhas aeroviárias, trazendo conseqüências socioeconômicas para suas populações.

Thaís Sena Balter
Professora do CCPI
Tem experiência nas áreas de Geografia e Engenharia de Transportes.
Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/1440562580242849
CCPI - Centro de Capacitação Profissional Inteligente
Site: www.ccpi.com.br
Curtir: https://www.facebook.com/cursosccpi