O Papel do Psicopedagogo nas Organizações

Em meio à conjuntura atual, marcada pela presença de novo simbolismo cultural, no qual a palavra central passa a ser a competitividade, o desenvolvimento profissional, que deveria ser um instrumento de construção de relação mais sólida entre as Organizações e seus colaboradores, é visto por muitos como apenas um instrumento de formação dos indivíduos para disputarem uma posição no mercado de trabalho.

A Teoria do Capital Humano e a Educação Profissional Brasileira.
Ramon de Oliveira é Doutor em Educação pela Universidade Federal Fluminense.
Professor do Centro de Educação da Universidade Federal de Pernambuco.

 

Vou além disto, considerando que as empresas estão em constante luta para colocação em destaque no Mercado, e para isso devem oferecer e munir-se da melhor tecnologia, procedimentos, normas, controles de qualidade, entre outros. Mas estes não seriam criados ou inovados se não fossem por funcionários cada vez mais motivados, desenvolvidos e com visão do coletivo, ou seja, através do trabalho em equipe.
Estruturada a partir de uma leitura do sistema capitalista, na qual não se apreende que a história é feita dentro de relações sociais conflituosas, determinadas pela apropriação desigual da riqueza, a Teoria do Capital Humano nos afirma que uma maior escolarização contribui diretamente para a melhoria da qualidade de vida dos indivíduos, em função de um aumento de renda que decorre, diretamente, da sua melhor qualificação para o desempenho no mercado de trabalho.
Em outras palavras, o incremento da produtividade ? decorrente do aumento da capacitação ? levaria a que o indivíduo também se beneficiasse pelo aumento dos seus salários.
Desta forma é simples concluir que as Organizações que visam o bem estar do trabalhador não o fazem por caridade, mas com intuito de a partir de ações planejadas receberem dos seus colaboradores o retorno produtivo.
O cenário atual mercadológico nos remete ao foco de maior produtividade e eficiência, como conseqüência, o maior retorno financeiro. Desta forma, o colaborador  não pode ser mais só produtivo quantitativamente e sim qualitativamente.
Essa exigência, gerada a partir de um mercado de trabalho cada vez mais competitivo, nos obriga a ter empresas (e seus funcionários) mais qualificadas, logo competitivas, conseqüentemente produtivas.
Contudo, o que leva o sucesso da organização não são as máquinas, mas as pessoas que as manuseiam, não são os processos por si, mas quem os cria e os desenvolve.
Desta forma, a conclusão de que as pessoas constituem o principal patrimônio das Organizações tem se fortificado a cada dia.  O capital humano é, além de uma questão vital para o sucesso, o principal diferencial competitivo das Empresas bem sucedidas.
Em busca do sucesso, as organizações devem preparar-se para inovação e para concorrência, e para tanto, mais que tecnologia, os investimentos devem voltar-se aos “criadores desta tecnologia”. Ou seja, ao capital humano.
Longe de pensar que as pessoas são insubstituíveis, devemos atentar ao fato de que o funcionário é o maior patrimônio da nossa Organização, pois o que ele tem guardado (sejam experiências de mundo ou profissionais), são suas riquezas.
Um colaborador não se sente motivado somente pela significativa remuneração, mas a princípio pelo orgulho de trabalhar numa conceituada empresa, ou ainda, um funcionário auto motivado, ciente de que a empresa passa por momento de crise está empenhado, sentindo-se responsável para a reversão desta situação.
Seria esta em outras palavras a discussão dobre a auto motivação profissional, se não o orgulho da profissão ou função na Organização?
A motivação, como o nome já diz é o “motivo” pelo qual a pessoa agirá positiva ou negativamente. Conforme nosso foco, o Psicopedagogo deverá atuar de forma apurar as possíveis rupturas que impedem o processo produtivo eficaz e eficiente, de modo que desperte nos colaboradores envolvidos nos processos a auto motivação que gerará as competências necessárias ao êxito das suas funções.
Desta forma, podemos dizer que as organizações precisam de pessoas espertas, ágeis, eficientes, criativas, empreendedoras e dispostas a assumir riscos (de indistintos graus) para que o sucesso seja o resultado final, sempre dispostos e interessados no desenvolvimento contínuo. Assim, três serão as características fundamentais apresentadas: a auto-motivação e o trabalho em equipe após a análise do comportamento organizacional.
Com esta visão abrangente, o papel do Psicopedagogo é relevante, pois sua interface de atuação tem significado na ação de Recrutar e Selecionar, Treinar e Desenvolver, podendo assim promover pesquisas sobre o clima organizacional com intuito de identificar os fatores motivacionais e os processos que precisam ser revisados para atingirmos o progresso para o funcionário e para a Instituição como um todo. Ainda entendo que, a qualidade de vida no trabalho, proporcionada a partir desta intervenção refletirá no cliente externo trazendo rentabilidade aos negócios.
São as pessoas que fazem as coisas acontecerem!
Para tanto, cremos que o papel do Psicopedagogo se torna essencial uma vez que resgatará a cada dia este valor.
O Psicopedagogo tem como papel fundamental o estudo do comportamento humano de forma orientadora e didática, identificando e mapeando a organização, o setor e a individualidade profissional, entendo seus processos sistêmicos, falhas e êxitos coorporativos e quais os aspectos a serem trabalhados de forma a considerar o urgente, o necessário e o importante do colaborador para a organização em via de mão dupla, ou seja, também da organização para o colaborador.
Sendo assim é fácil concluir que o Psicopegogo poderá assumir diversos papéis: mediador, facilitador, ouvinte, líder, criador, agente motivador, entre outros.
Como em toda e qualquer organização, o início de um trabalho deve se dar desenhando a realidade atual e onde se deseja chegar e a partir trabalhar de forma estruturada objetivos gerais e específicos de cada segmento levando em consideração as decorrências de qualquer alteração.
É possível evidenciarmos que o papel do Psicopedagogo, profissional da Ciência Humana, é o profissional de transformação e está especialmente envolvido e ativo nas mudanças Organizacionais. Sejamos animadores, educadores ou professores, assistentes sociais, economistas, psicólogos, sociólogos ou profissionais de saúde, quando lidamos diretamente com as pessoas somos confrontados com a sua evolução, ao nível individual e coletivo como mostramos através da nossa narrativa de aplicação das idéias aqui expostas.
No passado, as mudanças eram lentas e normalmente afetavam em um primeiro momento poucas pessoas, como o exemplo da máquina de fax que foi inventada na década de 50 mas, somente na década de 80 foi amplamente aceita e utilizada.
Uma mudança de perspectiva pode revelar diferenças surpreendentes: uma volta no caleidoscópio, uma acréscimo de informação significativa, uma maneira diferente de entrarmos em interação, uma luz especial, ... - e não só vemos mas também entendemos e agimos de outro modo.
Da mesma forma, são novos os caminhos abertos e é grande o acréscimo de qualidade, quando nos dirigimos aos recursos - e não tanto às necessidades - na intervenção com cidadãos, grupos e comunidades. Esta verdadeira "inversão de focagem" (que é lógica na linha de crescente atenção aos valores próprios, ao desenvolvimento endógeno), ao ser por nós adotada de forma decidida e sistemática, não só está a produzir melhores resultados mas vai-se também revelando um novo modo de trabalhar, a todos os níveis.
As necessidades constituem, em geral, o motor que nos leva à ação; e sem dúvida que é necessário rigor na sua análise. Mas são os recursos - os bens, as capacidades, as potencialidades - dos próprios, do local, que mais podem contribuir para que uma estratégia de intervenção seja sustentada e se desenvolva adequadamente.
As mudanças se tornam necessárias e constantes assim como o mercado globalizado que sofre a competição natural independentemente do segmento, e cabe a cada Organização estar atenta a estas mudanças de forma a se adequar e se desenvolver em visando a produtividade com qualidade.
Ao longo da história, as empresas consagraram-se como instituições especializadas em produzir, sem contudo resolver a polêmica relação entre o colaborador e o processo produtivo. Por um lado, é possível vislumbrar a produção como subproduto do trabalho, isto é, como uma conseqüência previsível a partir da assimilação de certo estoque de serviços ou produtos ofertados. Por outro, parece bastante defensável a perspectiva da produção como subproduto da motivação, uma ótica que coloca a produtividade sob visão maior, a de qualidade, a de excelência nos tempos atuais de tamanha luta pela sobrevivência no Mercado e, portanto , que ultrapassa a mera aquisição de trabalhar para se receber no final do mês e pagar as contas.
A realidade de nossas Organizações hoje deixa ao século XXI o desafio de colocar o esforço psicopedagógico a serviço das metas institucionais, visando o equilíbrio entre a empresa com seus objetivos claros e seus funcionários com o desafio de adaptá-los e desenvolvê-los para que os objetivos sejam atingidos.
A revisão dos processos da empresa e as reformas no setor , o que incluem desde os perfis aos procedimentos internos, buscam uma nova relação entre colaborador e sócio responsável pela organização, como se cada um fosse o proprietário de forma preocupar-se conjuntamente com todos os eventos e processos divulgados.
Certo que os resultados são atingidos por profissionais cada vez mais eficientes e eficazes, o Psicopedagogo Institucional, de visão interdisciplinar, visa diagnosticar os problemas ou dificultadores para o atingimento do sucesso Organizacional, traçará planos de ação junto aos gestores dos processos e administrativos e de forma a conscientizar motivando cada colaborador deverá trazer o resultado almejado.
Do ponto de vista teórico, os psicopedagogos institucionais não podem desconsiderar a contribuição dos conhecimentos de Psicologia, Pedagogia, Administração, Marketing, entre outros.
Bem como do ponto de vista prático, há um consenso praticamente geral de que a Organização não mais pode se fechar aos dramas de nossa realidade: a garantia da sobrevivência institucional num mercado cada vez mais competitivo.
Se por um lado o psicopedagogo agrega valor econômico à organização ao ser um “reprodutor” financeiro a partir do momento que está diretamente ligado ao negócio da empresa e às estratégias para que suas metas sejam atingidas, por outro lado , e não menos relevante, deve agregar valor social à organização. Ou seja, os funcionários ao desenvolverem suas competências essenciais para o sucesso Organização, estão também investindo neles mesmos, não somente pelo enriquecimento pessoal, como também pelo profissional e que com certeza a soma de cada resultado deste atingido garante o sucesso da Organização como um todo. Este é o desafio da intervenção psicopedagógica.



Janiara de Lima Medeiros (Jani Medeiros)
Professora universitária
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