Os anos iniciais do CAP-I.S.E.R.J. na perspectiva de uma gestão democrática-participativa

Monica dos Santos Lorena
Monica.lorena@globo.com
Rosana Maria Paldes
aginidam@gmail.com

Resumo
Este artigo tem como propósito o relato das experiências vivenciadas nesta gestão que norteia sua prática numa perspectiva democrático-participativa. Neste contexto ações efetivas e eficazes da equipe administrativo-técnico-pedagógico e comunidade escolar fazem o diferencial do trabalho realizado nos Anos Iniciais do Cap. I.S.E.R.J. Priorizando o diálogo, transparência nas relações e ações coletivas procuramos criar e assegurar condições organizacionais, operacionais e pedagógico-didáticas para o bom desempenho de professores e alunos em sala de aula, o sucesso nas aprendizagens e uma escola de qualidade.
Palavras- Chave: Gestão - Processo de Aprendizagem - Educação Básica

Abstract
This article aims to report the experiences of this administration that guides their practice participatory-democratic perspective. In this context effective action and effective administrative team-technical-pedagogical school community and make the differential work done in the first years of Chap ISERJ Prioritizing dialogue, transparency in relations and collective actions and seek to create conditions to ensure organizational, operational and pedagogical-didactic to the performance of teachers and students in the classroom, success in learning and school quality.
Keywords: Management - Learning Process - Basic Education

Introdução
Historicamente voltado para a formação de professores o Instituto Superior de Educação do Rio de Janeiro ( I.S.E.R.J.) vem se consolidando como Centro de Referência Profissional, vinculado aos Institutos Superiores de Educação (I.S.Es) da rede FAETEC ( Fundação de Apoio à Escola Técnica) - órgão da Secretaria Estadual de Educação do Estado do Rio de Janeiro.
Cento e trinta e dois anos de existência (Escola Normal da Corte, 1880) e resistência são certamente razão de inspiração, reflexão e ação. A tradição centenária e projetos de vanguarda transitam hoje no cotidiano desta instituição que reafirma os ideias e propósitos de seu fundador Anísio Teixeira na defesa de uma educação pública, gratuita, democrática, laica, de qualidade e pautada por uma gestão democrática representativa ( com eleições internas) e participativa ( através do Conselho Diretor e de Conselhos Deliberativos, Conselho da Educação Básica e Conselho Acadêmico).

Na contemporaneidade seu desafio é afirmar-se e reafirmar-se como espaço de articulação e diálogo entre educação básica e educação superior, espaço de luta contra a mercantilização e fragmentação do conhecimento, espaço de anúncios éticos e estéticos através de criações político-pedagógicas orientadas pela reflexão crítica, pela investigação pela valorização de criações curriculares e práticas instituintes, solidárias, includentes e emancipatórias. ( OLIVEIRA, MARIA LÚCIA LOPES, 2010)

Os Anos Iniciais ou Colégio de Aplicação do ISERJ é espaço de ensino, pesquisa e lócus de estágio e prática docente está organizado através de sua Coordenação Geral, equipe administrativa-técnico-pedagógica - Coordenadoras de turno, SOP ( Serviço de Orientação Pedagógica) , SOE ( Serviço de Orientação Educacional), Setor de Inclusão, Inspetores e todos os outros setores que estão ligados ao âmbito da escola como um todo.

A gestão democrático-participativa nos anos iniciais
As lutas políticas fazem parte da história do ISERJ e (re)alimentam nossas práticas. Vivemos e sobrevivemos a descontinuidades de ações e durante alguns anos fomos "assombrados" por gestões interventoras e ameaças de desmantelamento da escola. Hoje o ISERJ vive em sua plenitude um exemplo da gestão democrática e participativa. A atuação dos Conselhos Deliberativos propicia o planejamento e a participação coletiva da comunidade escolar, através de seus membros representantes, integrando e instrumentalizando ações.
Nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental ( 1º ao 5º ano de escolaridade ), a Coordenação Geral é referendada pelo grupo de docentes e equipe administrativo-técnico-pedagógica. Acreditando em práticas de gerenciamento que tornem a convivência no âmbito escolar cada vez mais prazerosa e baseada na responsabilidade social e humana, alicerçamos nossas ações. O planejamento coletivo é uma das estratégias na busca pela mobilização e envolvimento de todos. São em nossos encontros quinzenais ( Coordenação, SOP, SOE, Projetos, Inclusão e Docentes) e reuniões pedagógicas: Centrinhos - por ciclos de escolaridades e Centrões - toda a equipe, que refletimos sobre nosso cotidiano, avaliamos e revalidamos nossas práticas pedagógicas, encaminhando propostas e projetos reorientando nossas ações. A participação efetiva na construção do Projeto Político e Pedagógico Escolar, a elaboração dos "Eixos Norteadores da Prática Pedagógica - Anos Iniciais" e Projeto de Ações Pedagógicas ( anuais), caracterizam a identidade de nossas ações. Projetos iniciados em gestões anteriores ( Projeto Investigativo Lendo e Escrevendo, Projeto Apoio e a Docência Compartilhada) atuam e dão suporte a ações pedagógicas garantindo a efetiva inclusão de alunos com necessidades educacionais especiais( A.N.E.Es).
O projeto Filosofia veio agregar valores, potencializando espaços de reflexão, o livre exercício do pensar e propiciando atitudes que auxiliem os alunos a se constituírem sujeitos autônomos e críticos.
Apesar de todos os nossos esforços, outras ações se fazem necessárias para consolidação de nossos objetivos e nos inquietam. Pensando a gestão democrática como possibilidade de espaço aberto a parcerias, o diálogo e olhar de outros sujeitos dentro e para dentro da escola estão sendo relevantes. A monitoria (com nossos alunos/ estagiários da Pedagogia) prioritariamente nos primeiros anos de aprendizagem e o projeto de oficinas realizado por estagiárias da Psicologia escolar ( oriundas de outras instituições de ensino superior) tem proporcionado o diálogo com o nosso e outros espaços acadêmicos oportunizando também o encaminhamento e atendimento necessários, nas áreas de fonoaudiologia, oftalmologia odontologia e outras terapias.
Projetos de intervenção pedagógica e extensionistas com o Projeto de Interação e Pró Saber, para o 5º ano de escolaridade, fundamentam-se no princípio de intercomplementariedade e transversalidade, através de oficinas de música, informática, aulas de inglês, laboratório de Ciências ( Projeto Horta).
A garantia de carga horária, de trabalho para o professor, destinada à formação continuada, pesquisa, planejamentos e projetos foi, nesta gestão, uma conquista desta Instituição, com reconhecimento e respaldo legal da FAETEC.
Ainda assim, questões de ordem financeira e prática comprometiam e comprometem o sucesso de ações e projetos planejados. A escassa verba destinada a Escola como um todo não dá conta da manutenção e aprimoramento dos recursos materiais. A necessidade de manutenção dos espaços, mobiliários e equipamentos também colaboram e participam do pedagógico e nele interferem diretamente. O diálogo, solicitação e a parceria com os pais foram e são fundamentais. O entendimento de que o ambiente escolar é de todos e para todos, a aproximação através de dias como a "Escola Aberta" trouxe para dentro do ambiente escolar a ativa participação de nossos pais colaboradores e parceiros. Perceber que trabalhamos com foco prioritário em todos e para todos nossos alunos, que lutamos pela melhoria na qualidade de nossas ações pedagógico-didático e pedagógico-administrativas com transparência motivou esse entendimento, criando um espaço de confiabilidade. Hoje, sabemos que podemos contar com eles e a recíproca é verdadeira.

Considerações finais
Desta forma, consideramos a escola como espaço de re ( construção ) e aprimoramento de conhecimentos e valores para os alunos(as), educadores , equipe e demais pessoas envolvidas no processo pedagógico ( funcionários, família e comunidade), entendendo que todos os espaços da escola são igualmente considerados espaço de construção de conhecimento.
O professor se reconhece como pesquisador de sua prática e "sujeito" da ação pedagógica, sem desconsiderar que outros sujeitos também compõem esta ação. Assim sendo, trabalha com ousadia para transformar, proporcionando o encontro dialógico entre o senso comum e o conhecimento científico e em parceria com seus alunos, também sujeitos: no entendimento que ambos são "ensinantes" e "aprendizes", numa relação dialética e dialógica.
Entendemos que uma gestão democrática participativa demanda relações de confiabilidade e responsabilidade, faz-se imprescindível saber delegar, a cada um dos partícipes, a responsabilidade de operacionalizar as decisões tomadas coletivamente, garantindo uma gestão da participação. Liderança que valoriza, motiva e mobiliza ações conjuntas para concretização efetiva de propósitos.
O exercício desafiador desta gestão é o de trilhar por caminhos que propiciem a articulação entre práticas pedagógico-didáticas e as práticas de organização e gestão, sem que nenhuma das ações perca suas especificidades, baseadas no respeito à diversidade e na credibilidade da competência do grupo de profissionais que participam como co-gestores de todo este processo.

Referências Bibliográficas
º DRUMOND, Rosalva. Itinerários para a construção do Projeto Político Pedagógico do Cap Iserj, 2012 - Coordenadora Pedagógica do Cap-ISERJ
º ISERJ. Proposta Pedagógica dos Anos Iniciais (documento escolar) - Ensino Fundamental: 2011/2012
º LIBÂNEO, José Carlos. Concepções e Práticas de Organização e Gestão da Escola: Considerações Introdutórias para um exame crítico da discussao atual no Brasil. Artigo publicado na Revista Española de Educación Comparada, nº 13. Madri, Espanha, 2007.
º LORENA, Monica e PALDES, Rosana. Ações Pedagógicas da gestão para o ano de 2012. (documento escolar)
º OLIVEIRA, Maria Lúcia Cunha Lopes. Doutora de Educação e Professora UFF/ RJ In:Livreto Comemorativo dos 130 anos do Instituto Superior de Educação, 2010.